Por que tantas mulheres permanecem invisíveis no ambiente de trabalho?

E por que a solução talvez não seja aprender a “se vender”, mas aprender a comunicar o próprio valor com autenticidade.

Você já ficou em silêncio numa reunião mesmo sabendo a resposta?

Ou entregou um excelente trabalho e esperou que alguém percebesse, sem conseguir dizer com naturalidade: “essa foi uma contribuição minha”?

Confesso que essa é uma situação que me faz refletir há muito tempo.

Durante anos, observei mulheres extremamente competentes trabalharem com dedicação, resolverem problemas complexos, apoiarem equipas e entregarem resultados consistentes. Ainda assim, muitas permaneciam invisíveis quando chegava a hora do reconhecimento, do desenvolvimento de carreira ou das promoções.

E, muitas vezes, concluíam que o problema estava nelas.

Que precisavam falar mais.

Aparecer mais.

Ou, como se costuma dizer, “aprender a vender-se”.

Mas será que essa é realmente a questão?

Foi na Psicologia que comecei a encontrar algumas respostas.

Em 1978, as psicólogas Pauline Clance e Suzanne Imes descreveram aquilo que chamaram de “fenômeno do impostor”. Observaram que muitas mulheres bem-sucedidas atribuíam as suas conquistas à sorte, ao esforço excessivo ou a circunstâncias externas, em vez de reconhecerem a própria competência.

Quando não reconhecemos plenamente o nosso valor, torna-se muito mais difícil comunicá-lo aos outros.

E é aí que surge um paradoxo.

Por um lado, permanecer em silêncio pode tornar as nossas contribuições invisíveis.

Por outro, a investigação científica confirmou o que muitas mulheres já sabiam na pele: aquelas que se autopromovem de forma mais direta podem ser percebidas como competentes, mas também enfrentar rejeição social ou avaliações menos favoráveis.

Não se trata de paranoia.

Existe evidência científica mostrando que esse duplo vínculo faz parte da experiência profissional de muitas mulheres.

Talvez por isso seja tão importante distinguir três coisas diferentes:

Ser competente.
Parecer competente.
E comunicar competência.

Comunicar valor não é criar uma personagem.

Não é exagerar resultados.

Não é transformar autenticidade em marketing pessoal.

Pelo contrário.

É tornar visível aquilo que já existe.

É permitir que o trabalho realizado possa ser reconhecido.

Ao longo da minha transição do Direito para a Psicologia, este tema passou a fazer cada vez mais sentido para mim.

Hoje acredito que desenvolvimento profissional e bem-estar não são caminhos separados. Organizações saudáveis precisam de pessoas que conheçam os seus pontos fortes e consigam comunicá-los sem culpa, sem máscaras e sem a sensação de estarem ocupando um espaço que não merecem.

Talvez o desafio não seja aprender a nos vendermos.

Talvez seja aprender a reconhecer, primeiro para nós mesmas, o valor que já entregamos todos os dias.

E você?

Já viveu esse conflito entre querer ser reconhecida e, ao mesmo tempo, sentir desconforto ao falar das suas próprias conquistas?

Gostaria muito de ler a sua experiência.

Principais referências:
-Clance, P. R., & Imes, S. A. (1978). The impostor phenomenon in high achieving women: Dynamics and therapeutic intervention. Psychotherapy: Theory, Research & Practice, 15(3), 241–247. https://doi.org/10.1037/h0086006.
-Rudman, L. A. (1998). Self-promotion as a risk factor for women: The costs and benefits of counterstereotypical impression management. Journal of Personality and Social Psychology, 74(3), 629–645. https://doi.org/10.1037/0022-3514.74.3.629.
-Cable, D. M., & Kay, V. S. (2012). Striving for self-verification during organizational entry. Academy of Management Journal, 55(2), 360–380. https://doi.org/10.5465/amj.2010.0397.

Autoria: Gabriela Vilar. Conteúdo desenvolvido a partir da literatura científica, com apoio da IA Claude (Anthropic) na pesquisa, organização das referências, revisão crítica e aprimoramento da redação. A seleção das fontes, as interpretações e as conclusões são de responsabilidade da autora (publicado no Instagram e no TikTok em 17/06/2026).